15.6.12

dia felino (1974)

fio de trovoadas incandescentes
na lã do trigo
beijando os pés de algodão
neste tremor embalante
do âmago.
mar de cerejas penduradas
num calmo torpor nu
de caracóis dourados nos dedos.

no êxtase de dois lagos profundos,
sonho
na vertigem colorida da descolagem

dia felino, dia azul de princípio de mundo
explosão de nascer de sol posto sob o corpo
de um deus
renascido da seiva
fervendo nas veias de uma árvore
escondida
da cidade tumefacta.

Redescobrir
constante
do brando e cru chamamento da mãe Terra
na forma de uma carícia
transparentemente nascida na boca,
sentida nos dedos,
amada nos cabelos da constelação
que tu és

e ninguém sabe.

1 comment:

Ceres said...

muito bom!