10.6.15

E tu dormias. Nu.

Há quanto tempo! Cantámos. Fizemos amor. Os dois. Os vinte.
Tu amas-me? Não, não quero mais vinho. Beijei-te. Eu lembro-
me. Tinhas medo? Eu tive. Quando o chui berrou o meu nome
e o rádio explodiu. Depois deixaram-nos passar.
E os degraus ainda estão lá, cheios de pó e de pontas de
cigarros afogadas em leite.

Escuta... bate. O meu coração rebentou como uma granada.
Fiquei presa pelos cabelos. E tu dormias. Nu.

Que sede esta me estrangula os olhos e me tira
a serenidade que plantaste em mim, ainda ontem...